Morte de Michael Jackson "entope" a internet e é confundida com ataque hacker
Sites como Google e Twitter foram derrubados
Por Stella Dauer
Após os primeiros acontecimentos do conflito no Irã, o passamento do cantor Michael Jackson é o primeiro caso de uma notícia de nível mundial, de comoção coletiva, que atingiu a internet nos tempos de Twitter e informação popular. A morte do astro mostrou-se mais popular que a situação persa e, com isso, a rede foi inundada de mensagens de homenagem, notícias e especulações sobre o Rei do Pop. Com o surto de táfego, sites como o Twitter saíram do ar e o Google pensou que tratava-se de um ataque hacker.
O primeiro local a divulgar a possível morte do cantor foi o site de fofocas TMZ.com, de propriedade da Warner, e nenhum canal de notícias confiável podia afirmar se o rei do pop estava realmente morto – a confirmação só chegou à noite aqui no Brasil –, mas o artigo de Michael Jackson na Wikipédia já havia sido modificado.
Segundo o blog Webware do site CNET várias edições foram feitas ao longo do dia, tentando informar a morte de Jackson, mas estes eram rapidamente apagados, provavelmente por fãs. “Isto ainda não foi verificado”, “Ele não está morto” e “MAIS UMA VEZ, NÃO ESTÁ MORTO, APENAS PARE” eram alguns dos comentários deixados por alguns editores. Por causa disso, a Wikipedia teve seu sistema sobrecarregado logo na manhã de quinta e os funcionários do site tiveram que bloquear alguns artigos por algumas horas.
Além do site TMZ, alguns outros canais tradicionais de notícias começaram a informar algumas notícias imprecisas a respeito do cantor. A Fox News disse que seu estado não era claro ainda, e o Los Angeles Times chegou a dizer que haveriam pronunciamentos da morte dele, e por isso também teve problemas com o excesso de visitas.
Outros sites reportaram acesso vagaroso a suas bases de dados. ABC, AOL, CBS, CNN Money, MSNBC, NBC, SF Chronicle e Yahoo News chegavam a demorar quase dez segundos para entrar no ar, fato registrado pelo o site ComputerWeekly.
Mas não foram apenas os canais de notícias que sofreram com o grande número de acessos. O Twitter foi derrubado na noite de quinta com o gigante número de posts de fãs e de pessoas que apenas queriam informar ou comentar a respeito da morte de Jackson, noticiou o site TechRadar.
Em pouco tempo, termos como "#michaeljackson, “#mj”, e “RIP mj” estavam no topo das buscas do site, que teve de desativar esses sistema para evitar mais quedas. “Tivemos que desabilitar temporariamente a ferramenta de busca dos usuários do Twitter. Estamos trabalhando nesse problema subjacente e traremos essa função de volta assim que possível”, dizia o blog oficial do site.
De acordo com o site TechCunch chegou um momento em que 9 dos 10 tópicos mais comentados no Twitter tinham a ver com Jackson. Os updates no site eram tantos que o Trendrr, serviço que registra atividades e redes sociais, marcava mais de 100 mil tweets por hora.
O site de compras online da Amazon logo noticiou que Michael Jackson invadiu a lista dos CDs mais vendidos, e o site da O2 Arena, empresa que estava coordenando a última turnê do astro demorou algumas horas para interromper a venda oficial de ingressos, informa o site The Register.
Nem a Google escapou. O site da BBC afirmou que o tráfego de buscas por um mesmo termo era tão imenso que o site de buscas mais famoso do mundo pensou estar sob ataque de hackers e passou a filtrar a busca de milhões pessoas. “Sua consulta é semelhante a solicitações automatizadas de um vírus de computador ou aplicativos de spyware”, dizia a página. O tráfego do site chegou a aumentar 72% no horário aproximado em que foi confirmada sua morte.
Emails com conteúdo malicioso também já estariam circulando pela internet com o mote de trazer notícias e fotos inéditas a respeito da tragédia. A empresa de segurança Sophos discorreu a respeito de um spam que teria começado a circular no momento em que divulgou-se as primeiras notícias.
Quem acabou sendo ofuscada com a morte de Michael Jackson foi Farrah Fawcett, atriz americana que figurou no seriado As Panteras e que morreu nessa mesma quinta, após três anos de luta contra um câncer. Seu nome chegou a ser um dos mais buscados no Twitter, mas logo foi ultrapassado pelo tráfego gerado pela morte do cantor.
O site Tech Blorge atenta para o fato de que, mais uma vez, a internet, seus canais e seus usuários furaram a mídia tradicional ao levar notícias mais rapidamente.
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