Megapixels para dar e vender

Megapixels para dar e vender

O fotógrafo profissional Hans Georg testou quatro celulares para avaliar o desempenho das câmeras fotográficas em situações como luz do dia, ambiente fechado e noite. O resultado o impressionou.

Por Emerson Rezende e Hans Georg

Lentes Zeiss ou Schneider, balanço de branco, variação de ISO e cópias de qualidade de até 20×30 centímetros são características comuns em câmeras fotográficas digitais. Trata-se, no entanto, de camerafones, ou seja, celulares com câmeras digitais.

Os equipamentos testados vieram de quatro ícones da indústria de telefonia: as coreanas Samsung e LG, que participaram, respectivamente, com o slider G600 e o ME990 Viewty com uma tela touchscreen decente, a filandesa Nokia, que compareceu com o N82, e a Sony Ericsson, com o “especialista” K850 Cyber-shot. Todos contam com câmeras de 5 megapixels, capazes de gravar vídeo. Além disso, vêm com rádio FM, Bluetooth estéreo, tocam música e acessam a Web. Levando em conta o tamanho e a praticidade, esses telefones fotografam muito bem.

Deixamos quase todos os ajustes no automático. Desabilitamos apenas o comando automático de flash. A proposta era experimentar os camerafones em três situações: à luz do dia, ambiente fechado e à noite. Em todos os aparelhos, ao pressionar o disparador até a metade, o foco automático é acionado, e uma leitura parcial de luz é feita. Trata-se de um ótimo recurso para medir a luz fora do ponto central e reenquadrar a cena.

Todos os aparelhos possuem temporizador ou “timer” com funções até de disparo automático de tempos em tempos. Os camerafones também editam as imagens, possuem contraste, brilho, efeitos tipo sépia, P&B, negativo, baixo-relevo e até ajuste de cor nos três canais (RGB). É um belo passatempo para salas de embarque de aeroportos fechados. Além disso, montam apresentações, do tipo slideshow, com música e efeitos.

Uma dica é personalizar as funções. Por exemplo, se você quer imagens com qualidade de impressão, o ideal é sempre usar a resolução máxima, que não é o padrão (ou default) da câmera. Toda vez a que o aparelho é desligado, os ajustes voltam para o padrão inicial, em geral, um arquivo de tamanho médio.

A conectividade do Nokia e do Sony foi automática. Bastou ligar o cabo USB e o computador reconheceu os aparelhos. Para o LG e o Samsung, foi necessária a instalação de drivers. Na transferência dos arquivos para o computador, a melhor ferramenta foi o Bluetooth que funcionou perfeitamente nos quatro telefones.

 

O mais leve

Samsung G600

Preço R$ 1.099
Web www.samsung.com.br

O quadribanda EDGE/GPRS da Samsung é o mais leve e fino dos avaliados: pesa 104g e mede 15 mm de espessura, quando fechado. Com um visual mais tradicional, suas funções privilegiam a multimídia, sem deixar de laSamsung G600do o mundo corporativo. Executa arquivos de áudio em MP3, AAC, AAC+, e-AAC+ e WMA, vídeos em MPEG-4, WMV, H.263 e AMR, além de permitir a visualização de documentos do Word e em Adobe PDF e até de imprimi-los via Bluetooth por meio de impressoras compatíveis. Mais: oferece saída de vídeo para que o usuário possa ver sua fotos e vídeos direto na tela da TV. Na aparência, é o mais telefone entre os camerafones testados.

Isso, porém, não é demérito: ele produz ótimos arquivos de imagens. Com o formato de “slide phone”, é preciso abrir o aparelho para acionar a câmera, o que garante proteção quando ele está fechado.

O display tem bom tamanho (2,2”), 320×240 pixels e reproduz 16 milhões de cores. Sua memória interna de 55 MB pode ser expandida para até 2 GB via cartão microSD, o que é pouco por se tratar de um aparelho com pretensões fotográficas. Ao observar as especificações do G600, todavia, nota-se que fotografia parece não ser a função principal desse esguio aparelho.

A câmera não possui zoom óptico, e sim digital de apenas 4X. Outra ausência sentida foi a de um flash potente. Ele é baseado em LEDs e permite tirar fotos de objetos muito próximos – e, mesmo assim, com bom nível de iluminação no ambiente. A variedade de funções de edição de imagens também é pequena. Resume-se à inserção de molduras divertidas e a alguns efeitos como sépia e negativo. Outros recursos são as fotos seqüenciais, panorâmicas ou para a criação de mosaicos, uma perfumaria que rende uma brincadeira criativa. São várias opções de divisão de tela, que são preenchidas a cada disparo. Dá para fazer aquela foto clássica da casa de sua avó, em que aparecem várias facetas daquele tio capeta, quando era criança. Vale ressaltar que o aparelho traz um recurso bem bacana, o de estabilização de imagens.

 

A câmera que fala

Sony Ericsson Cyber-shot K850i

Preço R$ 1.399
Web www.sonyericssonshop.com.br

Imagine uma Cyber-shot (popular point & shoot da Sony) com telefone celular. Pronto, é isso! Os comandos mesclam teclas e “touch screen”, o que, às vezes, cauSonyEricssonCybershotK850-isa uma certa demora na hora de fotografar. As teclas do telefone também servem de atalhos para acionamento de funções. A vasta popularidade da Cyber-shot só agregou valor ao camerafone. Comandos, ícones e resultado são idênticos aos obtidos pela câmera digital mais vendida no Brasil. O peso da marca Cyber-shot só fez bem ao modelo quadribanda 3G Sony Ericsson K850i, um dos melhores na área de fotografia. Com uma memória interna de 40 MB, expansíveis para até 4 GB por meio de cartões flash Memory Stick Micro, ele possui um cardápio de ajustes bastante completo, o que inclui sensibilidade ISO, modo de macro (para objetos em curtíssimas distâncias) e balanço de branco. O flash é Xenon, item praticamente imprescindível em camerafones, pois resolvem o problema em situações de baixa iluminação.

O K850i também possui um pequeno flash composto por três LEDs só para o modo vídeo – e para gravações a menos de um metro. O display de 2,2” oferece boa iluminação e intensidade de cores, o que se repete na qualidade de suas fotos. A tela conta com o auxílio de um sensor de movimento que rotaciona o que é exibido quando o celular estiver na posição de paisagem. A tecla de atalho para a câmera é levemente rebaixada, o que impede acionamentos acidentais. Outro detalhe interessante: a lente conta com tampa protetora. Tratando-se de multimídia, bem que ele poderia ser mais versátil: executa apenas arquivos em MP3, AAC, e MPEG-4.

 

Muito espaço para suas fotos

Nokia N82

Preço R$ 1.500
Web www.nokia.com.br

Ao ser lançado, em novembro de 2007, o modelo quadribanda 3G N82, de cara, realizou um grande feito: fazer frente ao poderoso slider N95 8 GB, que havia chNokia N82egado ao mercado um mês atrasado em relação ao seu “irmão” prateado. Ambos possuem um recurso que deveria ser mais difundido em celulares com câmera: a simples e providencial tampa para a lente. No entanto o N82 vai além ao oferecer um flash que… funciona pra valer, sem falar a câmera digital com resolução de 5 megapixels. Seu alcance chega a quatro metros. As fotos tiradas a essa distância em ambientes pouco iluminados podem não ficar grande coisa caso o usuário não tenha muitos conhecimentos de fotografia. Isso é compensado por sua boa variedade de ajustes fotográficos – o que pode se tornar uma boa oportunidade para novatos.
O N82 tem ainda outros recursos: conectividade Wi-Fi, Bluetooth estéreo, suporta cartões microSD de até 8 GB (costuma vir com um de 2 GB), navegador GPS com função assistida (A-GPS), saída para TV, conector de áudio 3,5 mm (sim, dá para usar o fone que você quiser) e sensor de movimentos para reorientar imagens em sua tela de 16 milhões de cores.

 

Touchscreen é o que liga

LG KE990 Viewty

Preço R$ 1.399
Web www.lge.com.br

Único representante desta seleção a contar com tela touchscreen, a barra tribanda LG KE990LG-KE990-Viewty Viewty chama a atenção com seu “jeito iPhone de ser”. A tela é de generosas 3”, com 400×240 pixels e 256 mil cores – e faz dele o aparelho que mais se assemelha a uma câmera fotográfica. Fica fácil enquadrar a cena e, depois do registro, visualizar o resultado obtido. A lente Schneider assegura qualidade às imagens. Mas há uma crítica: vez por outra, a resposta a comandos feitos via display demoravam mais do que o normal, assim como o acionamento da câmera, que chegou a levar “longos” dois segundos para se concretizar. Ele oferece até foco manual, mas não é aconselhável, pelo mesmo motivo: a demora na resposta. Como o modelo da Sony Ericsson, basta abrir a proteção da lente para ativar a câmera.

Embora ofereça apenas o modo digital de zoom, consegue aproximar objetos em até 16X. E além de vir com autofoco, ele inova ao oferecer ajuste manual por meio de uma roda giratória em torno da objetiva. Sua memória interna é de 95 MB, mas pode chegar a até 4 GB via cartão microSD, um estímulo a mais para gravar vídeos, que podem chegar a 120 FPS. Tal qual o G600, também oferece aplicativos de escritório como visualizadores de documentos do Word e em Adobe PDF. No setor de entretenimento, é bem versátil. Toca arquivos em MP3, AAC, MP3, MPEG-4, WMV e até em DivX.

 

Conclusão

Ao analisar os resultados, observamos que a luz natural só faz bem aos camerafones. Todos apresentaram cores quentes e boa definição. Se você costuma tirar fotos apenas de dia, pode trocar a câmera digital portátil por um celular numa boa. Eles agüentam o tranco e tiram fotos muito boas.

Quando fotografamos com pouca luz, protegidos por uma janela (atrás de um vidro), o Samsung registrou a luz guia (luz ao lado do flash que auxilia o foco). Não encontramos nenhum comando para desabilitar essa função. Em resumo, você não fará boas fotos atrás de uma cobertura envidraçada com o Samsung.

A opção de fotografar sem flash foi tomada para verificar o ruído causado pela longa exposição. Este é um problema comum em câmeras digitais. A longa exposição aquece o sensor, e o aquecimento causa o aparecimento de pequenos quadrados coloridos onde deveria haver apenas uma cor chapada. Podemos observar que o céu, que deveria ter um escuro homogêneo ou uma influência das luzes existentes, apresenta serrilhados e faixas de cor bem definidas em vez de um dégradé suave.

Na avaliação geral, o que melhor se comportou nessa condição foi o Nokia. Mesmo ele tendo uma velocidade mais baixa que o LG e o Sony Ericsson.
Se você pretende comprar um celular com intenções fotográficas, escolher um Nokia com lente Zeiss é uma boa pedida.

Tabelão

 

Publicado originalmente na Edição 11 - setembro de 2008.

Comentários

Sou mais o N82 hein... só

Sou mais o N82 hein... só tem a cara do K550 da Sony, mas é bem melhor.