Uma viagem

Livrando-se do Linux e do Software Livre, a Easy Going conseguiu resolver todos os seus problemas de TI. Veja aqui como o embuste do código aberto e a picaretagem da "comunidade" podem levar seu negócio ao fundo do poço.

Por Henrique Cesar Ulbrich
Fotos por Hans Georg

Aproveitando que o trânsito de São Paulo estava folgado, voamos para o Jardim América, ali perto, para encontrar Celso Cardoso e Ricardo Merzvinskas, os dois sócios da Easy Going. A empresa é especializada em turismo receptivo, operacionalizando pacotes de viagens vendidos no exterior para estrangeiros em visita ao Brasil. Aparentemente simples, a operação de um negócio dessa envergadura possui alguns detalhes espinhosos e só uma empresa muito organizada e com processos internos eficientes conseguiria sobreviver.

 

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Celso Cardoso e Ricardo Merzvinskas: “Linux tem bug, sim senhor!”

A Easy Going sempre foi uma empresa bem organizada; o pessoal do Extreme Makeover não teve muitos problemas de cultura empresarial para resolver. A empresa já funcionava bem e ia de vento em popa, mas havia um único calcanhar de Aquiles: seus sistemas de informação. A empresa toda era baseada em Linux e software livre e, embora no começo os custos tenham sido próximos do zero, eles cresceram exponencialmente ao longo do tempo. “Qualquer um sabe instalar um driver de impressora no Windows. Mas se uma impressora aqui parasse de funcionar, tínhamos que chamar um técnico de fora para resolver – e ele cobra caro. Muito caro” diz Ricardo Merzvinskas, diretor e sócio da empresa. “Apanhamos feio do Linux. Já estávamos inclinados comprar tudo da Microsoft mesmo antes de pensar em nos inscrever no Extreme Makeover”. Merzvinskas conta que a motivação para usar Linux era a usual. “Estávamos na ilegalidade, piratas mesmo. Mas falamos com as pessoas erradas e fizemos besteira. Em vez de legalizar tudo, adotamos o Linux”.

Foi nesse caos administrativo que Ricardo ficou sabendo do Extreme Makeover 2. “Recebi um mailing divulgando o concurso, não sei se do SEBRAE ou da revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. O Celso nem estava aqui, estava viajando. Pensei: ‘ah, vou participar, não custa nada’. Só que eu preenchi três vezes o negócio [referindo-se ao formulário de inscrição], mas a conexão não parava de cair. Foi um exercício de obstinação”.

Ao serem selecionados entre os dez “semifinalistas”, Merzvinskas e Cardoso receberam a visita do exército tecnológico do Extreme Makeover. “Veio uma trupe aqui. Mexeram em tudo. Perguntaram sobre tudo. Tiraram fotos de tudo.” Merzvinskas conta que nem ele nem seu sócio Cardoso esperavam estar entre os dez escolhidos mas que, vendo suas reais chances, o entusiasmo decolou como o Ônibus Espacial. “Nos inscrevemos sem pretensão alguma de ganhar. É concurso, o prêmio era legal, era de graça, não custava nada se inscrever, decidimos tentar. Mas juro que depois esqueci!”. Os sócios só se deram conta do sucesso quando chegou a notícia de que foram classificados. “Se chegamos até aqui, agora é para ganhar”. Quando veio a premiação final, nenhum dos sócios estava surpreso.

“Eu acho que o motivo principal [de termos sido escolhidos] é que somos uma empresa organizada”. Celso e Ricardo contaram que montaram um dossiê bastante completo mas enxuto, contando como era a empresa, o quão organizada era e como tudo lá funcionava bem, à exceção dos sistemas de informação. “Exceto pela questão do Linux, éramos bem organizados. Talvez por isso fomos escolhidos. Tem empresas bem ‘zoneadas’ por aí”. Segundo os sócios, o dossiê bem feito foi importante e isso foi confirmado pelo próprio pessoal da Microsoft. “E sem fake, sem mentir sobre nada”, arrematou Celso.

Provavelmente devido à frustração presa na garganta, após um ou dois tópicos gerais a conversa sempre recaía na má experiência vivida com o Linux pelos dois sócios. Celso Cardoso pareceu ficar bastante incomodado com a dificuldade em se fazer funcionar qualquer periférico no sistema operacional cujo logotipo é um pingüim. “O cara vinha aqui toda semana pra reinstalar a impressora no Linux”. Merzvinskas concorda: “O que a gente se decepcionou mais, que estranhou bastante, é que o software livre tem bugs, sim senhor! Disseram pra gente que não tinha. E não é só no Linux não. Você salva no OpenOffice o documento com uma fonte. Aí abre de novo, muda a fonte!” Segundo a dupla, num negócio a boa aparência é grande parte do show. “Como é que a gente pode enviar uma proposta comercial para um cliente se não sabemos como ela vai aparecer do outro lado”?

 

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O Windows Vista tornou o trabalho da EasyGoing muito mais “easy”.

A Easy Going já planejava migrar tudo para a plataforma Microsoft um ano antes de se inscrever no concurso. “Começamos com nossos dois notebooks, que já vieram com tudo instalado e legalizado. O prêmio veio em boa hora”. Depois da reconstrução total, todas as máquinas rodam o Windows Vista. A empresa ganhou ainda um servidor HP e rodando o Windows Business Server 2003, Office 2007 para todos os pontos de rede e uma das versões avançadas do CRM Dynamics da Microsoft, que inclusive o entregou instaladinho e integrado com o software específico de negócio – no caso, a plataforma de agenciamento de turismo que eles já usam há muitos anos. Nenhum dos dois acreditou que as coisas iriam dar tão certo. Cardoso chegou a fazer troça do medo que sentiu na época: “Rapaz, isso deu uma emoção!”

Um dos recursos que os sócios mais gostaram é o acesso remoto. “De casa eu entro no servidor”, conta Merzvinskas, “e leio meus emails, mando propostas e administro a empresa. Isso, em dia de rodízio, não tem preço”.

Quando comentaram sobre a unidade de fita DLT para backups que eles ganharam da HP, novamente o tema Linux voltou à tona. “Antes tínhamos uma unidade de fita DAT usada, que compramos por R$ 500. Mas o cara que veio instalar no Linux ficou o fim de semana inteiro aqui e cobrou uma fortuna”.

Felizmente, isso é coisa do passado.

 

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Extreme Makeover: Reconstrução Total

 

Veja também:

A3 Fotografia Digital: Bem na foto

 

 

Publicado originalmente na edição Especial 2 - abril de 2008.